Dois trabalhos com imagens de Emma Concreta entraram no salão de Piracicaba deste ano. A abertura é dia 30/10. Um dos trabalhos é uma aquarela já postada anteriormente no blog, e o outro foi um feito este ano, que depois vou postar aqui no blog.
Segue link de informações sobre o salão (selecionados, endereço)
Mais uma vez vídeos um vídeo da(s) persona(s) está presente na mostra de vídeos da FASM. Nesta 5ª edição estará presente a última produção, Casa (Rô) de 2009. Espero que possam ir visistar e comentem a respeito.
Para completar o tríptico de gravuras de grande formato, junto com Glamo Rosa e Bonequinha, temos a de Rô, com três frames retirados do vídeo PERSONAS, já que são as primeiras imagens de Rô. Utilizando as mesmas técnicas, litografia e serigrafia, com as mesmas três cores, e costuradas com cisal.
litogravura e serigrafia s/ papel costurado com cisal
Apesar de as primeiras idéias de personas terem partido do masculino, uma persona masculina – como no caso de Alebasi e Jack – as primeiras imagens de Rô apenas surgiram no vídeo PERSONAS. Desde então Rô aparece com óculos e boina, camisa social e calça. Imagens em tom sépia, tons marrons e avermelhados já presentes. Poses que encara o outro, enfrenta, uma expressão mais fechada, braços cruzados.
Então as primeiras imagens de Rô foram em movimento, já uma performance um pouco mais elaborada do que uma pose fotográfica. Rô já teve que surgir um pouco mais complexo. Antes disso existia apenas em minha imaginação, com referências à algumas imagens, mas estava incompleto.
Nome: Rô – no começo foi Rô, o pianista, depois passou apenas para Rô, que vem do sobrenome Rodrigues, do meu avô Antonio. Rô possui um pouco dos modelos masculinos que eu tive, meus avôs Antoio e Alcindo e meu pai, e representa também a figura masculina que tenho dentro de mim. [Na psicologia jungiana há o conceito de animus, figura anímica masculina presente na mulher, presente no inconsciente. Faz parte do juízo, julgamento, é a razão.]
Expressão interior: braveza, corpo pesado e rígido, sentado e parado, reflexivo.
Figurino: roupas masculinas, calça social, camisa, coletes, coleção de boinas, meia branca, sapato social, coleção de óculos.
Obejtos construídos: porta-óculos, óculos (coleção), copo, teclas de piano, fotografia, boinas e abajur.
Persona (Glamo Rosa) foi produzido em 2008 junto ao trabalho final da faculdade, um trailer pode ser visto no youtube.
Ficha técnica
Persona (Glamo Rosa)
2008, Sp, Brasil
Vídeo – 00:16:57 – Mini DV – colorido – estéreo
Apresenta Glamo Rosa
Locais de gravação São Paulo e Ilhabela (SP)
Direção e edição Isabela Gatti
Câmera (imagem e áudio) Filipe Werner
Áudio Isabela Gatti e Rosa Laura
Músicas Rose of Washington Square (B. MacDonald – J. F. Hanley) por Enoch Light & The Charleston City All-Stars; Luna Rossa (Vian) por Umberto Marcato; La vie en Rose (Louiguy) por Bert Kaempfert; The most beautiful firl in the world (Richard Rodgers – Lorenz Hart) por Tommy Dorsey
Gravação de áudio (estúdio) e mixagem anderson Soares
Figurino e objetos Isabela Gatti, Iole Di Natale e Filipe Werner
Agradecimentos
Lucia Gatti, Amandio Rodrigues, Iole Di Natale, Federico Panizza, Filipe Werner, Rosa Laura, Juliana Pereira, Paula Zanotti, Anderson Soares e Andre Ponciano
Imagem
Ambiente: externo e interno, até mesmo uma mistura entre os dois, como na cena da varanda e do carro que temos o que se refere a parte interna e vemos o lado externo – a cidade.
Luz: natural com muito sol e artificial como muita luz da cidade. Temos todos os momentos do dia, desde manhã, período do sol forte, constrastante, fim de tarde e noite.
Local: banheiro (banheira, espelho jateado com paisagem, espelho com objetos e produtos de beleza, acessórios), varanda (mesa de café da manhã, vaso com planta, prédios ao fundo), praia (piscina, mar, barcos, esteira, píer), sala (sofá, mesa com vaso de flores, escultura em cerâmica de casal do artista Baé, quadro de moça sorridente com flores de anônimo), cadeira ornamentada, carro (janela aberta, lojas, pessoas e luzes da rua), rua (iluminada, paisagem de prédios).
Cor: dourado e amarelo nas cenas da banheira destacando como cor de ouro, riqueza, preciosidades, brilho, também presente um tom amarelado na sequencia da sala por conta da cortina; branco e azul marcantes dos acessórios – como uma cor elegante – e do céu nas cenas na praia; cenas noturnas com figurino rosa e luzes para tons avermelhados, algo romântico, encantador; sempre destacando o brilho, seja da água do mar, do raiar do sol ou da luz artificial, dos tecidos selecionados.
Câmera: paralelaprincipalmente, seguindo o movimento de Glamo Rosa, muitos closes pegando detalhes da expressão, imagens no espelho e sombra projetada, ecorços, principalmente de baixo para cima, elevando Glamo Rosa, cenas com a câmera mais parada, movimentos leves, até mesmo nas cenas externas.
Edição: uma cena no quadro, justaposições com e sem espelhamento (cena do café da manhã na varanda), sobreposição de imagens apenas na sequencia do banheiro com maquiagem.
Áudio
Instrumentos: som ambiente, discos de vinil e voz cantando – de Rosa Laura acompanhando o vinil de fundo.
Relação cena e áudio: na maior parte das vezes o som é ambiente, ou seja, o natural da própria cena, quando temos Rosa Laura – minha avó – cantando a música do vinil temos a sequencia na sala com Glamo Rosa deitada ou sentada no sofá (são dois trechos de músicas), e em um trecho na praia, no qual Glamo Rosa se relaciona mais diretamente com o outro/a câmera. No outro acompanhamento musical, apenas o vinil, em close de Glamo Rosa com luvas e fazendo poses e enquanto se encontra dentro do carro – sempre como se estivesse ouvindo o vinil naquele momento.
Relação com o outro
Quem é o outro: é alguém de base para Glamo Rosa, no sentido em que ela atrai sua atenção como forma de garantir, ter certeza de que está sendo observada. Esse alguém ou a admira, ou vira um mero espelho para ela. De fato, ao longo das gravações, nas cenas internas principalmente, quando era possível fazer uma auto-imagem, eu como Glamo rosa me sentia mais à vontade, pois a câmera se comportou como um espelho, para medir sua beleza, sua atração sobre o outro, ou melhor, sobre ela mesma. Ela se acha interesante, bela e atraente.
Sentimento: Glamo Rosa já pode ser considerada, ela mesma, multifacetada, pois tenta sempre manter as aparências, manter a beleza, o glamour, o sorriso, a pose. Não mostra o interior, é puramente exterior.
Memória: se relaciona aos padrôes estéticos – talvez não no mesmo nível – que forma impostos sobre mim ao longo de minha vida a partir de minha avó Rosa Laura e consequentemente sua filha, minha mãe Lucia. são minhas referências de mulheres que se maquiam, sempre estão arrumadas, com penteados, roupas, acessórios, o que interpretei como um glamour visual, externo, e que de alguma forma sempre quiseram que eu me encaixasse nesse padrão. Minha avó sempre demonstrou em suas falas e assuntos que a questão visual, de como se portar, como se mostrar ao outro era importante para ela, sem dúvida ela influenciou minha mãe, e as duas acabaram querendo, de formas diferentes, que as filhas ou netas fizessem parte desse padrão.
Na sequencia de duplas de fotogramas, apresentando as personas através de objetos, temos a dupla de Glamo Rosa. São dois quadrados, um contendo luvas e jóias, e o outro com perfumes, batom e demais utensílios de e para maquiagem. Objetos de uso de Glamo Rosa, que gosta de brilho, glamour, de se maquiar. Representa itens de suas camadas, maquiagem sobre a pele, roupas sobre a pele, tudo para ficar mais bela.
A primeira aquarela de Glamo Rosa, realizada em 2007, parte de uma das primeiras fotografias realizadas em 2004. Enquanto a segunda aquarela, feita em paple craft e em um tamanho muito maior, parte de um frame do vídeo PERSONAS. Glamo Rosa (PERSONAS) de 2008 participou junto com a aquarela de Emma Concreta (TANQUE) e Rô (PERSONAS), ambas de 2007, na exposição Aquarela Internacional – São Paulo 2008 – Mostra de Artistas Nacionais.
Glamo Rosa, 2007 - aquarela s/ papel
Glamo Rosa (PERSONAS), 2008 - aquarela, nanquim e guache s/ papel craft
Glamo Rosa ganhou um busto de cimento em 2006. A partir de desenhos de observação e das primeiras imagens feitas em 2004, realizei primeiramente em molde de argila. Depois, para fundir em cimento, fiz o molde em gesso. Existe apenas uma cópia. A escolha do cimento foi para constratar com o glamour que sugere a persona Glamo Rosa.
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